Jé @jermachado - dia 06

Então, inevitavelmente estamos todos no mesmo barco. Buscando entender como e quando esse isolamento vai terminar.


As primeiras vezes que ouvi falar sobre o Coronavírus, parecia algo muito distante de nós, parecia que só a China ia ter que lutar – do tipo: A China que lute. Quando a coisa estava bem feia lá, uma colega de trabalho estava mesmo retornando da viagem que fez pra lá e fez alguns comentários bem chocantes. Juro. Sinistro. Não tenho a menor referência, mas só o que escutei da história toda foi: mortes.


Hoje, no meu 6 dia de quarentena, consigo enxergar a gravidade do vírus e, apesar de termos sido “semi-avisados”, de fato, ninguém esperava.


Fomos forçados, por um bem maior, a sair das nossas rotinas e tivemos que deixar nossos caprichos pra lá, assumindo o papel de zeladora de nossa saúde e a do próximo.


Confesso que me sinto perdida às vezes. Sempre sonhei em fazer o famoso home office, mas nunca nessa circunstância. Fico pensando nas pessoas que não podem parar e não tem o privilégio de conseguir trabalhar de casa. Muitas delas são tão essenciais que, de repente aprendemos a valorizar como nunca antes.


Nesses 6 dias em casa, tenho tido alguns tipos de sentimentos. Sinto-me ansiosa e, pra confessar, às vezes sinto até alguns sintomas do tal Corona. Daí eu paro, penso, leio sobre os procedimentos, ligo para alguém, desabafo e volto a respirar normal. Estou tentando acordar no mesmo horário todos os dias, mas tem dias que durmo um pouco mais mesmo. Uma coisa que estou feliz é poder tomar café da manhã sem limite de tempo.


Estou buscando aproveitar o que tenho e não posso me queixar. Meus pais estão comigo e por um longo tempo eu não passava tanto tempo com eles, só nós três. Estou descobrindo a rotina deles e a desrotina também. Meu namorado está em Porto Alegre e, como meu pai é grupo de risco e ele esteve muito exposto, não achamos prudente ele vir até aqui.

Acho que, hoje, o que mais sufoca é saber que não temos uma data exata para planejar o nosso próximo passo. Não sabemos as consequências econômicas e emocionais que a pandemia vai deixar. Cada dia uma novidade, cada dia um novo número, um novo registro.

As notícias por vezes nos deixam chocadas, até tento olhar uma vez por dia para não me bater o terror, mas de vez em quando a danada aparece sem ser chamada e daí já começa um nervosinho de novo.


Como tudo tem seu lado bom, penso na oportunidade que estou tendo de estar próxima de quem amo, de viver um pouco mais a PRO ME e vibrar com as atitudes de empatia que as pessoas estão demostrando uma com as outras. Estamos nos ajudando, mesmo que com pequenos gestos, mas não estamos pensando mais como um único individuo, como falei lá no inicio deste texto, estamos todos no mesmo barco.


Como muitas outras coisas, estou refletindo. Fomos obrigados a sossegar nosso facho e ficar dentro de casa. Fomos obrigados a ver que não sabemos o dia de amanhã e que somos tão frágeis nesse mundo, que talvez, o próprio mundo tá exigindo uma parada obrigatória. Fomos obrigados a ligar mais para as pessoas para saber se elas estão bem e no final falar: se cuida, por favor, não sai de casa e se sair cumpre com o protocolo de higienização.


Enfim, espero que este tempo difícil passe logo e que juntas, possamos continuar lutando por dias melhores, por mais justiça e por um mundo livre e cheio de amor.


Com amor,


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